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CAPTULO 24 
EMPREGO DO ADVRBIO 
FUNO DO ADVRBIO 
1)  funo do advrbio acompanhar o verbo, exprimindo a cunstncias que cercam, ou precisam, ou intensificam a signific 
deste. 
"Assim morre o forte!" (GONALVES DIAS) 
"Jamais, jamais mortal subiu to alto!" (GONALVES DE GALHES) 
"Esse monstro... Que vem c buscar?" (GONALVES Du 
- Vibrai rijo o chicote, marinheiros!" 
"Fazei-os mais danar..." (CASTRO ALVES) 
"Sete anos!... E ei-lo volta, enfim, com o seu tesouro!" (OL 
BILAc) 
"Habita juntamente os vales e as montanhas..." (MACHAD 
Assis) 
2) Os advrbios de intensidade (muito, pouco, bastante, mais, nos, assaz, quo, to, etc.) podem concorrer para exprimir flex 
grau de adjetivos e advrbios: 
"To forte contra os homens, to sem fora Contra coisa to fraca." (GONALVES DIAS) "O porvir  assaz vasto, para comportar esta grande esperan 
(Rui BARBC 
" tarde!  muito tarde!..." (MONT'ALVERNE) 
"Alma minha gentil que te partiste 
To cedo desta vida descontente..." (CAMEs) 
H formas sintticas para os graus de advrbios: 
pert(ssimo, cedinho, agorinha, etc. 
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ADVRBIOS EM 'MENTE' 
Concorrendo na frase vrios advrbios dos terminados em -mente, 
 usual o emprego do sufixo apenas no ltimo; a menos que, por nfase, se prefira a repetio: 
Estvamos calma, tranqilamente, aguardando a soluo do caso. 
Falava-me doce, suave, suavissimamente. 
"Que brilhe a correo dos alabastros 
sonorainente, luminosamente." (CRUZ E SousA) 
Adjetivos, ainda que fiexionados, podem ser empregados como advrbios: 
"A vida e a morte combatiam surdas 
No silncio e nas trevas do sepulcro." (FAGUNDES VARELA) 
Cabe a tambm a interpretao de consider-los anexo predicativo. 
USO DE 'MELHOR' E 'PIOR' 
E OUTROS ADVRBIOS 
1) Melhor, pior so comparativos de bem e mal (como so dos adjetivos bom e mau), e, portanto, invariveis: 
Os meninos vo melhor, j sem febre (advrbio). 
So as quatro melhores alunas da classe (adjetivo). 
Achei-os pior, mais aflitos (advrbio). 
So os piores resultados (adjetivo). 
Em vez de melhor e pior empregam-se os comparativos mais bem 
e mais mal antes de adjetivos-particpios: 
Trabalhos mais bem cuidados. Planos dos mais mal urdidos. 
Mas diz-se tambm: 
Obra melhor talhada. 
Coisas mal ouvidas e pior entendidas. 
2) Muitos advrbios oferecem exemplos de homonmia, isto , tm formas idnticas  de palavras de outras classificaes gramaticais. 
ora (agora) 
"No centro da taba se estende um terreiro, 
Onde ora se aduna o concflio guerreiro..." (GONALVES DIAS) 
347 
muito 
"Tereis notado que outras coisas canto 
Muito diversas das que outrora ouvistes." (OLAvo BILAc) 
tanto 
"Silncio, Musa... Chora e chora tanto..." (CASTRO ALVI 
bem 
"Olha-me bem, que sou eu!" (GONALVES DIAS) 
pouco 
"Falai verdade. No aporfieis. Perguntai pouco." 
(DOM FRANCISCO MANUEL DE MELO) 
3) H trs advrbios-pronominais de lugar, que vo caindo em suso: algures, alhures, nenhures: em algum, em outro, em neni 
lugar. 
Li, algures, descrio minuciosa desse aparelho. 
"Tornou ao piano, era a vez de Mozart, pegou de um trec e executou-o do mesmo modo, com a alma alhures." (MACH DE Assis) 
"O nosso ndio errante vaga; 
Mas, por onde quer que v, 
Os ossos dos seus carrega... 
Nenhures est melhor 
Do que na urna grosseira." (GONALVES DIAS) 
4) Debalde ou embalde (em vo, inutilmente)  o nico adv de origem no latina; deriva-se do rabe. 
"H dois mil anos te mandei meu grito, 
Que embalde, desde ento, corre o infinito..." (CASTRO AL 
5) Incontinenti - latinismo - significa imediatamente; sem dem intervalo ou interrupo: 
"Reconhecemo-nos incontinenti, com igual espanto." (MONTE 
LOBATO) 
6) Pode-se usar propositadamente, ou de propsito (esta  a exp so clssica), e, ainda, propositalmente, cujo emprego tem sido 
denado, sem razo. 
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HeA 
7) "H dois dias estiveram aqui." "De hoje a dois dias teremos novas partidas." 
A idia verbal de h (no primeiro exemplo) est obliterada: forma 
expresso adverbial, como a segunda. 
Para circunstncias passadas, emprega-se a forma verbal: 
"H dois mil anos te mandei meu grito..." (CASTRO ALVES) 
Para a indicao de tempo futuro, ou decurso do tempo, entre datas, 
a preposio a: 
De 2 de janeiro a 30 de setembro... De hoje  quinta-feira pr- 
xima.. 
A boa lio documenta-se,  maravilha, nesta frase de Drummond: 
"Hoje, amanh, daqui a cem anos, como h cem anos atrs, uma realidade fsica, uma realidade moral se cristalizam em Itabira." 
De h muito  expresso adverbial equivalente a h muito tempo: 
De h muito vem ele queixando-se... 
8) J, mais - j  advrbio de tempo, de mais de um sentido: 
Venha j. 
J o conhecia. 
Eles j esto no Rio de Janeiro. 
J no vou a So Paulo. 
"Com respeito ao advrbio mais, uso  vulgar entre os escritores brasileiros dar-lhe s vezes o valor significativo do advrbio j, em certas frases negativas, onde 
intervm como elemento de reforo. Assim que se diz: 
O doente no fala mais, no se move mais - ao lado de: o doente j no fala, j se no move. 
"Este emprego do advrbio mais, correntio no Brasil, no traz o selo dos escritores portugueses de renome, que com tais modos de dizer o substituem pelo advrbio 
portugus j" (CARNEIRO RIBEIRO, Seres, p. 666): 
- "Arquiteto do mosteiro de Santa Maria j o no sou." 
(HERCULANO) 
Porm a verdade  que no dizem a mesma coisa: J no irei a So Paulo - e - No irei mais a So Paulo. 
1 
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9) Certos advrbios correspondem a expresses adverbiais: 
nunca - em tempo nenhum; 
sempre - em todos os tempos, em todos os momentos; hoje - neste dia; 
agora - nesta hora; 
aqui neste lugar; 
adrede para esse fim; de propsito, etc 
ADVRBIOS INTERROGATIVOS 
Os advrbios interrogativos iniciam oraes independentes (ii 
rogativas diretas), e tambm introduzem oraes subordinadas (ii 
ivgativas indiretas): 
quando (de tempo), onde (de lugar), como (de modo), po 
(de causa). 
Exemplos: 
a) Em interrogaes diretas: 
Quando voltaro os soldados? 
Como vo as crianas? 
Onde compraste esse livro? 
Porque no ajudaste teu irmo? 
b) Em interrogaes indiretas: 
No sabemos quando voltaro os soldados. 
Indagaram como vo as crianas. 
Perguntei-te onde compraste esse livro. 
Ainda no me explicaste porque no ajudaste teu irmo. 
OBSERVAO SOBRE A GRAFIA 
DO ADVRBIO INTERROGATIVO 'PORQUE' 
Alguns autores preferem grafar por que, em duas palavras, e e 
ter-se-ia de subentender, depois do que, um nome como razo, 
rivo, etc.: Por que (razo) no vens? Dize-me por que (motivo) 
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vens. Esta  tambm a lio do Pequeno vocabulrio ortogrfico da lngua portuguesa, de 1943. 
No h, todavia, amparo para esta recomendao. 
O nosso advrbio interrogativo porque encontra paralelo em francs (pourquoi?), em italiano (perch ?) , e funciona como adjunto adverbial da orao interrogativa, 
designando a causa ignorada, isto , precisamente o que ns desejamos saber ao formularmos a pergunta. 
Exemplo: 
- Porque fugiste de casa? 
Sujeito: tu (indicado pela desinncia verbal). 
Verbo: fugiste (intransitivo). 
Adjunto adverbial de lugar: de casa. 
Adjunto adverbial de causa: porque? 
Na resposta a esta pergunta, se quisermos declarar a causa, t-lo- 
emos de fazer por meio de uma orao subordinada, encetada pela conjuno porque. 
Em algumas lnguas, essa distino de funes se marca por palavras diferentes, como, por exemplo, pourquoi e parce que em francs 
e why e because em ingls. 
Em portugus, escrever porque em circunstncias que tais  manter 
longa tradio literria, firmada em trs sculos de classicismo, e continada, na linguagem de nossos dias, por escritores de nota. 
Exemplo: 
- Porque vir o conde quase de luto  festa?" 
(Assim est no volume 15 - Contos e lendas - da monumental e filologicamente primorosa edio das obras completas de Rebelo da Silva, publicadas em 41 volumes pela 
Empresa da Histria de Portugal, em 1907, sob a responsabilidade de Henrique Marques, o competente estudioso do estilista de 'A ltima corrida de toiros em Salvaterra'.) 
Na edio princeps das Vrias histrias (Rio de Janeiro, 1896, publicada sob as vistas do autor), tambm o que se l, em 'Um aplogo', 
 o seguinte: 
"Porque est voc com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, 
para fingir que vale alguma cousa neste mundo? 
- Deixe-me, senhora. 
- Que a deixe? Que a deixe, porqu? 
Porque lhe digo que est com um ar insuportvel?" 
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Poucas linhas adiante, continua o triste burilador de Brs Cu 
- "Mas voc  orgulhosa. 
- Decerto que sou. 
- Mas porqu? 
- E boa. Porque coso." 
Somente se escreve por que em dois casos: 
a) Quando se tratar do pronome relativo QUE, ocasionalmente cedido da preposio por (ele poderia, em outras condies sintt 
vir antecedido de outras preposies): 
Fatos a que assisti... 
Dinheiro com que no contava... 
Palavras de que me envergonho... 
Papel em que escrevo... 
Assuntos por que me interesso... 
b) Quando se tratar do pronome interrogativo QUE, ocasionaini precedido da preposio por (ele poderia, em outras condies s 
ticas, vir antecedido de outras preposies): 
A que te dedicas presentemente? 
Com que ests a contar para a viagem? 
De que te envergonhas? 
Em que pensas? 
Por que te interessas no momento? [que = que coisa? qu sunto?, etc.] 
Trata-se, pois, de um caso de regncia: interessar-se por. A 
posio (por) est a reger o pronome interrogativo que, funcionaini 
como pronome substantivo. 
Repare-se na diferena, por sem dvida sutil, entre a ltima das 
ses citadas e estoutra: 
- Porque te interessas por mim no momento? J a o complemento de interessar-se  por mim. 
 bvio que, funcionando como pronome adjetivo, o que n 
poder ligar  preposio por: 
- Por que assuntos te interessas no momento? 
Observao: 
- Cremos que grafar porque (quando advrbio interrogativo, ou advrbio rei ultrapassa matria puramente ortogrfica, para situar-se como problema de mor taxe portuguesa 
- qui romnica -, sobre ancorar no uso de escritores modi de uma e outra banda do Atlntico (cf. o que escrevemos no prefcio do Discur Colgio Anchieta de Rui 
Barbosa, edio de 1981, publicada pela Fundao Ca Rui Barbosa, Ministrio da Cultura, p. XI, em cuja nota de roda oferecemo bibliografia). 
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